Entrada Clubs Citizens Club Ateneu Club Activities 2013-15

Ateneu Club: Activities

Ateneu Club: Activities


ANOs de 2013-2015

 
 
TERTÚLIAS MENSAIS
 
As tertúlias decorrem, a cada mês, no Auditório da Reitoria da Universidade da Madeira. Após cada tertúlia segue-se um jantar-debate, no Restaurante Café Ateneu. A participação na tertúlia é livre. O jantar-debate requer marcação até à véspera de cada evento, sendo para tal necessário o preenchimento do formulário disponível AQUI.
 
 
 
 
Outubro


 

O Conselho de Cultura da Universidade da Madeira levou a cabo no dia 07 de outubro, às 18H30mins., mais uma tertúlia, desta feita intitulada Natureza e Cultura – o equilíbrio instável”, dinamizada pelo Dr. Marcelino de Castro. Ser da natureza (pela sua condição cosmológica e biológica), o homem é também um ser de cultura. E a raiz desta quase ou falsa oposição é justamente a diairesis (do gr., ‘diferenciação’) que nos projecta na consciência e na reflexividade, nunca abandonando a natureza donde provimos, nem objectivamente abdicando da cultura, onde crescemos e nos fazemos homens, no seio da Humanidade a que então ficamos a pertencer. ‘Natureza e Cultura, o equilíbrio instável’ apresenta-se, pois, como tema de vários assuntos, não em oposição, mas em interdependência, todos eles radicados, ainda assim, na dupla condição do homem no seio da própria natureza, até porque a instabilidade advém de ambos os lados da equação. Tanto ou mais instável do que a natureza tem sido a cultura, e a comprová-lo, podemos mesmo perspectivar o século XX e os inícios deste século, que ora vivemos… Hoje mais do que nunca, quer o conceito de natureza quer o conceito de cultura não podem deixar de ser perspectivados numa dialéctica bio-cultural, contrariando o sociologismo e mesmo o culturalismo (psicologista e outros) ou, até, porventura de forma mais premente, contrariando o ecologismo na sua versão mais dura (questões ambientais como as ligadas ao clima, aos recursos naturais e à ocupação do território), uma vez que, quanto a nós (Homem, Humanidade), se tem verificado ser impossível separar em absoluto a natureza da cultura e, ao invés, a cultura da natureza.

 
 
 
 
Julho 
 
 
O Conselho de Cultura da Universidade da Madeira levou a cabo no dia 14 de julho, às 18H30mins., mais uma tertúlia, desta feita intitulada "Emigração e Imigração – as faces da mesma moeda”, dinamizada pelo Doutor Alberto Vieira. As migrações humanas são resultado de um conjunto variado de fatores que, em diversos momentos, condicionaram a maior ou menor disponibilidade para as chegadas ou partidas. Nem sempre é o mesmo princípio que reúne todos aqueles que se aproximam do cais. Há os que são obrigados a partir e os que partem de livre vontade, movidos pelo espírito de aventura e a possibilidade de encontrar novas e melhores  condições de vida. Aos que chegam, anima a mesma esperança e defrontam-se com as mesmas dificuldades daqueles que partiram. São estas vivências complexas que dominam o movimento das migrações e que, na sociedade do século XXI, que se quer intercultural, nos devem levar a refletir sobre a postura de cada um de nós sobre os protagonistas das chegadas e das partidas. 
 
 
 
 
Junho 
 
 
 
 
 
A dia 4 de junho, aconteceu a tertúlia sob o tema: “Guerra e Paz – O Mundo no fio da navalha”, dinamizada pelo Major-general Marco Serronha. As “fronteiras” entre a Guerra e a Paz estão cada vez mais esbatidas e a passagem dessa área cinzenta poderá ser rápida, incontrolável e violenta. Os riscos diversos e perigosos que se colocam às sociedades do século XXI fazem da gestão do risco a principal atividade da Politica (ao nível Nacional, Regional e Global) e será a área onde as comunidades humanas se encontrarão mais focadas, na gestão das Crises Permanentes com que poderão ser confrontadas. Tudo indica que, cada vez mais, se viverá no fio da navalha. 
 
 
 
 
 
 
 
Maio 

 
A 7 de maio, O Prof.Doutor Ricardo Cabral dinamizou a tertúlia sob o desígnio “Desenvolvimento e Sustentabilidade: A quadratura do círculo?”. O evento, a que se seguiu um convívio-jantar onde a conversa teve continuidade, aconteceu no Auditório da Reitoria da Universidade da Madeira. Na sua intervenção, o Prof. Doutor Ricardo Cabral debruçou-se sobre a questão do “Desenvolvimento e Sustentabilidade” que, à semelhança da resolução do problema da "quadratura do círculo", é generalizadamente considerada de difícil resolução. Essa é a realidade que nos é dada a conhecer de séculos de História da Humanidade, de séculos da História do País, em particular, da Região Autónoma da Madeira e, finalmente, da História da última década, com particular destaque para os últimos 4 anos da “troika & companhia”.
 
 
 
Abril
 
 
 
 
 
 
 
A 7 de abril, o Conselho de Cultura da Universidade da Madeira levou a cabo mais uma tertúlia, desta feita intitulada "Instrução e Educação - a sociedade do ecrã", dinamizada pelo Doutor Francisco Fernandes. As tecnologias de informação e comunicação representam facilidade e velocidade de comunicação. Tornam melhor, mais acessível e rápido, o acesso à informação, gerando-a nos dois sentidos: comunicar e receber comunicação; informar e ser informado. Porém, estas facilidades, que significam uma melhoria geral do modo de vida, encerram, obrigatoriamente, o efeito de condicionar, limitar ou escravizar o utilizador? Perdeu-se o espaço para uma “carta à moda antiga”, para comprar, folhear e ler um jornal, uma revista ou um livro impressos em papel? Estaremos a substituir ou eliminar totalmente o trabalho manual e o esforço intelectual? Estaremos a promover o sedentarismo e a preguiça, como “efeito secundário” do seu uso? Qual o papel da Escola na difusão e utilização das ferramentas que nos ‘alfabetizam’ para esta nova realidade, para uma visão esclarecida das potencialidades que as tecnologias representam e para o espaço que é necessário garantir para a “pessoa”, para a “memória das gerações” e para a gestão do “espaço emocional”? É que, do outro lado da nossa capacidade (e necessidade) de comunicar, isto é, no contraponto da nossa forma de viver em condição gregária, não pode estar apenas um ecrã.
 
 

 
Março 
 


No âmbito do ciclo de tertúlias temáticas que iniciou este ano, o Conselho de Cultura da Universidade da Madeira levou a cabo na terça-feira, dia 10 de março, às 18h30, mais uma ação, desta feita intitulada
“Esperança de Vida – a última fronteira”. A tertúlia, dinamizada pelo Dr. Manuel Brito, propôs-se lançar um olhar para além da realizada estatística, que define a Esperança Média de Vida à Nascença e, onde se procura compreender o sentido superior de uma vida, por vezes sem Esperança. Após a tertúlia, no Auditório da Reitoria, seguiu-se um jantar-debate, no Restaurante Café Ateneu.  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
 
 
 
 
 
Fevereiro
 
 
 
 
 
O Clube Ateneu do Conselho de Cultura da Universidade da Madeira deu início, em fevereiro de 2015, a uma série de tertúlias mensais temáticas. A primeira dessas tertúlias teve lugar no dia 03 de fevereiro, pelas 18h30, no Auditório da Reitoria, ao Colégio dos Jesuítas, e versou sobre o tema do Caos e Complexidade – a ordem escondida. A dinamização vai estar a cargo da Professora Doutora Ana Isabel Portugal. Na Física Clássica, acreditava-se que mesmas as mais complicadas situações do mundo real podiam ser modeladas por iterações de leis simples e, como tal, eram previsíveis. Tudo se modificou, no início do século vinte, com a teoria quântica revolucionariamente desenvolvida por Max Plank, seguida da proposta da teoria da relatividade de Albert Einstein. Verificou-se que o comportamento de sistemas físicos, mesmo dos relativamente simples, é imprevisível. Seria a natureza fundamentalmente aleatória? Essa ideia ia contra nossa intuição tanto mais que se encontraram padrões e regularidades por trás do comportamento aleatório dos sistemas físicos mais complexos. Teria de ser outra a explicação e o determinismo e o comportamento aleatório, aparentemente impossíveis de coexistirem, tinham de ser explicados como propriedades simultâneas dos sistemas. A ciência rapidamente se virou para este paradigma e englobou o estudo da incerteza e da imprevisibilidade na interpretação dos acontecimentos do dia-dia. Teoria do Caos ou, mais recentemente, Teoria da Complexidade, são termos genéricos pelos quais ficou conhecido este novo modelo de funcionamento das coisas.

 
 
 
 

ANO de 2013 

1ª Tertúlia – 23 de Abril de 2013

A ‘democracia’ é apenas um dos muitos tópicos do estudo da antiga Grécia (Hélade). Inscreve-se no tema maior da política. A política fala grego: o ‘discurso político sobre a política’ nasce na Hélade. E não só por causa dos conceitos e dos vocábulos com origem na língua grega (política; aristocracia, oligarquia, democracia, etc.). É que a Hélade inventou a política como expressão principal da cidadania. Os gregos inventaram-na como pensamento, discurso, debate; como conciliação, acção e renovação.
O regime democrático em Atenas é não só indissociável da emergência histórica da polis (cidade estado), novo quadro organizacional que se apresentará como devidamente constituído no final da época arcaica (fins do séc. VI a. C.), como também das reformas que, ao longo do tempo, e em consequência de grandes convulsões sociais, foram empreendidas um pouco por toda a Hélade e que, em Atenas, foram lideradas por sábios legisladores, como Drácon (VII a. C.), Sólon (também poeta, VI a. C.) e Clístenes (finais séc. VI a. C.)… No dealbar do séc. V a. C., o regime está formalmente constituído e é logo posto à prova durante as Guerras Pérsicas, de que os Gregos são vencedores, liderados por Atenas.
No tratamento do tema, privilegiou-se, mais do que as diferenças´ (no conceito de cidadania, na ausência de ‘representatividade’, na organização do 'sistema judicial', entre outros aspectos), o núcleo comum que persiste, derivado do conceito de isonomia (igualdade perante a lei; princípio que permanecerá como ideal na época helenística, pela defesa de isonomia entre helenos e bárbaros). E bem assim na noção de que a política em democracia, como actividade, mantém a possibilidade de ‘procura constante’ e de ‘aperfeiçoamento’, pela renovação social, económica e de organização política, pelo uso da palavra em espaço público e pela configuração e/ou reconfiguração das leis, que podem sempre melhorar ou re-instituir a sociedade. Não por acaso se pode lembrar Foucault, que inverteu os termos da afirmação de Clausewitz, dizendo que a ‘política é a guerra continuada por outros meios’. A política como actividade, na democracia ateniense, derivava da marca principal do regime: Aristóteles, na Política, afirmava que o “fundamento da constituição democrática era a liberdade” (eleutheria). 
Seguiu-se uma breve análise dos problemas do regime, na óptica dos coetâneos, sobretudo filósofos e oradores, fazendo-se igualmente apelo a grandes textos da época, principalmente tragédias e comédias. Pequenos textos traduzidos acompanharam o debate, principalmente de Tucídides (460 - 400 a. C.), de Isócrates (436 - 338 a. C.), de Aristóteles (384 - 322 a. C.) e de Demóstenes (384-322 a. C.).

 
 
2ª Tertúlia – 28 de Maio de 2013

A difícil conjuntura actual tornou o discurso sobre a Grécia ainda mais equívoco: a aproximação histórica enfrenta neste momento outros supostos inconscientes, que obrigam a clarificação maior. Agora não se pode dizer apenas a 'democracia na Grécia'; é necessário dizer-se a 'democracia na Grécia antiga'. A clivagem semântica (temporal e civilizacional) entre o antigo (por todo o lado considerado bom) e o actual (moderno, pós-moderno, agora e de novo considerado pior, e também por todo o lado) viu-se desta forma reforçada. Talvez com alguma razão, na verdade.
 
Nota: Este é aquele que se pode considerar o ‘tema de arranque’, numa sessão que retoma assuntos já aventados, mas que incidirá especialmente na ‘transversalidade política’ da própria permanência dinâmica da Cultura Clássica nos nossos dias.